Faltam-me lugares mágicos para me deixar ser amado. Na praia, o azul do mar saturou nossos medos mais bobos, e eles se revelaram monstros longe de serem mitológicos. Na rua, o barulho dos carros reinou sobre nossas declarações e elas viraram apenas palavras que poderiam vir de qualquer um. Em casa, a intimidade extrema foi prematura, estranha, indesejada, nos bastamos antes mesmo de nos conhecermos, fomos formais demais, justamente onde não tínhamos que ser. Todas as tentativas foram fatídicas, porque, realmente, não queríamos a mesma coisa. Você vem com fome de falta de fôlego e eu prefiro um braço quente e cheiroso. Eu digo todas as verdades e você prefere deixá-las para mais tarde. Você só tem manobra esperta, mas eu prefiro esperar a hora certa. Eu quero ter mais do que certeza e você só prioriza um ou dois tipos de beleza. Invertendo o ciclo, desencontramos as coxas, desfizemos o abraço, engolimos o “olá”, retraímos o olhar, condenamos o pensamento. Falta muito mais do que um lugar. Aquela luz no fim do túnel da qual todo mundo fala com tanta admiração? É, eu nunca conheci ninguém que a tenha sobrevivido. Talvez não seja um recomeço, mas a desistência… Talvez esteja mais próxima do que eu quero admitir.

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